:: Home »
:: Login ::
Login
Senha

 Lembrar senha
  Esqueci minha senha
 Cadastre-se »
:: Busca ::
Termo
 Mapa do Site »
:: Comunidades ::
 Newsletters »
 Fórum »
:: Seções ::
 » Agenda
 » Simpósios
 » Sobre Epilepsia
 » JECN
 » Médicos
 » Centros
 » Mitos & Tabus
 » Publicações
 » ILAE
 » Links
 
Publicações Online
» O Paciente Otimamente Controlado
 : Capítulo II - Qualidade de Vida e Farmacoeconomia :
O conceito de qualidade de vida (QV) aplicado à saúde (QVAS) freqüentemente se baseia na definição proposta pela Organização Mundial de Saúde: a percepção individual do bem-estar físico, mental e social. Apesar de disponível há várias décadas, esse conceito tem sido cada vez mais utilizado na avaliação de condições crônicas, principalmente relacionadas às novas modalidades terapêuticas.

QVAS em epilepsia aborda três dimensões: 1. Saúde física (função diária, saúde geral, freqüência e intensidade de crises e efeitos adversos de medicações); 2. Aspectos mentais (condição emocional, auto-estima, percepção de estigma, cognição, ansiedade e depressão); 3. Aspectos sociais (conjunto de atividades sociais, no âmbito do trabalho, família e amigos). QV é conceituada pela visão do indivíduo em como ele se sente e funciona, independentemente dos parâmetros médicos e baseando-se principalmente em sintomas. A avaliação médica clássica dá prioridade à intensidade de crises e aos efeitos adversos da medicação antiepiléptica. Muitos médicos consideram uma crise parcial complexa ou uma crise tônico-clônica anual, assim como efeitos colaterais "leves", como resultados "bons"ou "aceitáveis". Por outro lado, muitos pacientes consideram essas condições "ruins" ou "inaceitáveis". Esses dados demonstram que QVAS em epilepsia vai além dos sintomas.

Problemas Comumente Associados à Epilepsia

Epilepsia é um modelo de condição crônica em que os aspectos psicossociais podem ser proeminentes. O estigma da epilepsia, a situação socioeconômica e a vida independente - dirigir veículos, opções de trabalho, atividades lúdicas ou esportivas e uso de bebida alcólica - podem ser afetados pela condição.

Medidas Quantitativas de QV

A correlação entre a avaliação do paciente e a do médico quanto à QV muitas vezes não é concordante.

Medidas de QVAS complementam as tradicionais avaliações de controle das crises e dos efeitos adversos das DAEs (Drogas Antiepilépticas). A quantificação atualmente é um desafio, pela falta de definição de QVAS, falta de objetivos claros e validação de escalas em diferentes grupos etários, socioeconômicos e culturais, além de instrumentos específicos adequados. Para exemplificar essa última colocação podemos lembrar que as escalas para avaliar DAEs são diferentes das que avaliam resultados cirúrgicos. Aqueles pacientes podem ser de fácil controle medicamentoso, enquanto os últimos são, geralmente, refratários à medicação. Assim, a problemática da maioria dos pacientes em que as crises não controladas são relativamente raras é diferente da dos pacientes com epilepsias refratárias em que se impõem restrições às atividades básicas do dia-a-dia.

Problemas Especiais ou Peculiares

Crises ocasionais ou leves e efeitos colaterais infreqüentes ou toleráveis podem ser considerados aceitáveis pelo médico e inaceitáveis pelo paciente. Além disso, pessoas com epilepsia têm maior incidência de problemas psicossociais e psicopatológicos.

Uma pessoa que tenha tido duas crises e receba o diagnóstico de epilepsia pode ter problemas de QVAS. A duração do tratamento é geralmente longa, as DAEs precisam ser tomadas várias vezes ao dia e podem causar efeitos colaterais que influenciam o dia-a-dia da pessoa, com conseqüências psicológicas e sociais enormes. Essas pessoas podem ter a percepção ou realmente ter limitações em oportunidades sociais, educacionais e de emprego, assim como na direção de veículos e dificuldades de transporte. Além disso, atitudes familiares e sociais mantêm ou provocam baixa auto-estima e dependência, estigma, discriminação e restrições.

Ao se avaliar a epilepsia, portanto, devem-se considerar os problemas sociais, psicológicos e comportamentais, além dos óbvios problemas físicos.

Problemas Físicos

As crises epilépticas aumentam o risco de contusões, lacerações, fraturas, entorses, queimaduras e afogamentos, assim como o de morte súbita.

DAEs podem causar efeitos físicos tais como hiperplasia gengival, sedação, náusea, visão dupla, tremor, hirsutismo, ganho de peso e outros. Alguns desses efeitos são sutis e podem passar despercebidos pelo paciente. Outros são intermitentes, enquanto outros, ainda, são contínuos ou crônicos. Medidas de QVAS mostram alterações em pessoas com efeitos adversos neurotóxicos ou sistêmicos.

Problemas Psicológicos

Pacientes com epilepsia têm maior prevalência de distúrbios comportamentais (depressão e ansiedade) e problemas cognitivos (alterações de memória e nomeação).

Problemas Sociais

O diagnóstico de epilepsia pode ter conseqüências nefastas para as atividades de adultos e crianças. Alguns pacientes ficam apreensivos com relação a casamento (anticoncepção, fertilidade, gravidez, malformações congênitas e cuidados dos filhos), e com oportunidades limitadas de trabalho e suas conseqüências.

Medidas Atuais Disponíveis na Literatura


Há múltiplas escalas para se avaliar problemas cognitivos e comportamentais: Minnesota Multiphasic Personality Inventory (MMPI) e Washington Psychosocial Seizure Inventory (WPSI), entre outros. Na avaliação de QVAS em epilepsia temos o ESI-55 (Epilepsy Surgery Inventory) e a bateria de Liverpool. Além dessas escalas, há versões de determinados países (versão alemã) e modificações para crianças e adolescentes.

Nos ensaios terapêuticos com drogas, geralmente, não há diferenças estatisticamente alcançadas, seja pelo efeito discreto do tratamento na qualidade de vida, seja pela baixa sensibilidade das variáveis ou pelo tempo curto de intervenção para provocar mudanças importantes.

Um aspecto problemático é a adaptação cultural e a tradução dessas escalas, necessitando sempre de uma validação para sua interpretação adequada.

Conclusão

Não há, no momento, um consenso sobre como medir QVAS em epilepsia. Há várias escalas enfatizando aspectos gerais e específicos, tais como efeitos de medicação ou de cirurgia para epilepsia. O contexto social, cultural, as necessidades e percepções em diferentes faixas etárias (infância, adulto e senilidade) são fatores que dificultam a uniformização dessas escalas. Além disso, o longo tempo de aplicação das escalas implica em procedimento de alto custo, o que dificulta o caráter investigacional.

De qualquer modo, ao se propor um novo método de intervenção tal qual o uso de um novo fármaco, impõe-se a mensuração com escalas de QVAS. Provavelmente, num futuro próximo, na prática clínica, as questões de QVAS em epilepsia serão tão rotineiras quanto as relacionadas ao controle das crises.

Por ora, nada substitui o bom senso do médico ou da equipe multidisciplinar que atende o paciente com epilepsia.

Farmacoeconomia

A farmacoeconomia está se expandindo no mundo todo, talvez pela necessidade de regulamentações ou competições entre as indústrias. Essa economia pode ser analisada, no caso da epilepsia, na área da indústria farmacêutica, da medicação antiepiléptica e do paciente.

O primeiro item, referente aos aspectos financeiros das companhias, não é tratado pela farmacoeconomia e sim pela economia de modo geral. A extensão do assunto diz respeito às ligações econômicas internacionais, ao nível governamental e de política de saúde.

O segundo item avalia os custos e os benefícios de medicamentos específicos. Esse aspecto é importante para os formadores de opinião, para a política governamental e claro, para a via final comum, que é a ação médica individual. O campo da farmacoeconomia identifica, avalia e compara os custos e os resultados de determinados tratamentos. O resultado dessa análise repercute no receituário médico.

O terceiro item se dá junto ao paciente individual. Avalia a relação custo-benefício de determinado medicamento e das conseqüências econômicas do tratamento, ou seja, a repercussão na produtividade do indivíduo. As implicações dessas atividades estão claramente ligadas à QVAS em epilepsia.

Os métodos econômicos usados em farmacoeconomia (relação custo-eficácia, custo-benefício, custo da doença e minimização do custo) podem ser utilizados de muitas maneiras, algumas das quais inaceitáveis do ponto de vista ético ou científico. As questões do bem-estar físico, do custo do tratamento (e de quem arca com os custos, indivíduo ou Estado), as medidas clínicas envolvidas e os parâmetros econômicos são de grande importância.

A farmacoeconomia, como acima apontada, está dentro do domínio da QV e do impacto tanto da doença (condição) como do tratamento realizado.

Os sistemas de saúde, com o progressivo aumento dos custos, têm sido questionados em relação aos novos fármacos. Torna-se imperiosa a avaliação dos resultados obtidos (eficácia) à luz de parâmetros como mor-talidade, morbidade, custos, duração e adequação prática do tratamento.

Inicialmente, as avaliações farmacoeconômicas foram aplicadas às nossas tecnologias médicas. Atualmente, contudo, estão também voltadas à avaliação de medicações e tratamentos, comparando os novos com as te-rapias convencionais. Para ilustrar esses aspectos, um exemplo claro é o uso do transplante renal comparado com a hemodiálise. O custo inicial pode ser maior, porém, o efeito a longo prazo e o reflexo na QV do pa-ciente são altamente compensadores. Nem sempre, entretanto, fica tão evidente a melhora da QV e do prognóstico com a intervenção.

Na área da epileptologia, as novas modalidades de tratamento, como as novas DAEs, o tratamento cirúrgico e a estimulação vagal inter-mitente implicam no aumento dos gastos. Torna-se necessário o conheci-mento dos vários índices de custo-benefício e da QVAS em epilepsia em relação a esses procedimentos, particularmente numa sociedade empobre-cida de um país dito em desenvolvimento como o nosso.

A complexidade desses estudos, a nossa desorganização social e governamental e os diversos fatores econômicos envolvidos tornam essa área uma necessidade básica na atividade médica e na prática clínica, em todos os seus níveis.

A farmacoeconomia, portanto, ainda embrionária, é uma necessida-de médica premente e deve ter grande desenvolvimento em nosso meio.

Referências Consultadas

1. Cramer JA, Spilker B, eds. In: Quality of Life and Pharmacoeconomics: an Introduction. Philadelphia: Lippincott-Raven, 1998.

2. Devinsky O, Baker G, Cramer J. Quantitative measures of assessment. In: Engel J Jr., Pedley TA, eds. Epilepsy: A Comprehensive Textbook. Philadelphia: Lippincott-Raven, 1997, pp. 1107-1114.

3. Dodrill CB, Batzel LW, Queisser HR, et al. An objective method for the assessment of psychological and social problems among epileptics. Epilepsia 1980; 21: 123-135.

4. Jacoby A, Johnson A, Chadwick DM, on behalf of the Medical Research Council Antiepileptic Drug Withdraw Group. Psychosocial outcomes of antiepileptic drug discontinuation. Epilepsia 1992; 33: 1123-1131.

5. Vickrey BG, Hays RD, Graber J, Rausch R, Engel J, Brook RH. A health-related quality of life instrument for patients evaluated for epilepsy surgery. Med Care 1992, 30: 299-319.
<< Anterior


|||| Copyright ||||

 :: Sobre a LBE ::
 Diretoria »
 Capítulos »
 Comunicados »
 Sócios »
 Contato »
errado