|
|
|
|
 |
 |
| : Capítulo VI - Disfunções Sexuais
: |
 |
A
sexualidade é um importante aspecto da vida
privada. As pessoas com epilepsia parecem
ter maior incidência de disfunção sexual
do que as pessoas com outras condições neurológicas
crônicas. Alguns estudos mostram que a hipossexualidade
chega a atingir 28% a 67% dos pacientes
com epilepsia. A hipossexualidade refere-se
à redução de um ou mais elementos da sexualidade,
como libido, prazer e potência sexual.
A hipossexualidade parece ser mais freqüente
em pacientes com epilepsia de lobo temporal.
Tipos de Disfunção
Sexual
As causas de disfunção sexual nesta população
são multifatoriais. Baixa auto-estima e
oportunidades sociais limitadas podem interferir
no desenvolvimento das interações sexuais
normais. Além disso, o comportamento sexual
pode sofrer reforço negativo quando as sensações
sexuais são identificadas como parte da
crise ou da aura. Muitos pacientes ficam
preocupados acreditando que a atividade
sexual desencadeie crises, particularmente
se elas forem desencadeadas por hiperventilação
ou exercícios físicos.
Hipossexualidade
Desejo sexual é o desejo do engajamento
na atividade sexual (ou libido). O desejo
sexual é variável e difícil de se definir
em termos absolutos. Uma proposta considera
que um indivíduo que não pense sobre sexo
ou não tenha desejo sexual pelo menos uma
a três vezes por mês pode ter hipossexualidade.
O desejo sexual pode ser comprometido por
fatores psicológicos, tais como ansiedade
e depressão e, também, necessita da integridade
funcional de regiões específicas do córtex
cerebral, particularmente, lobos temporal
e frontal.
Potência sexual é a capacidade fisiológica
para responder ao estímulo sexual através
de respostas gênito-pélvicas vasomotoras
e neuromusculares. As respostas fisiológicas
envolvem córtex cerebral, tronco cerebral,
medula espinhal e sistema nervoso autônomo.
Níveis adequados de hormônios hipofisários
(gonadotrofinas e prolactina) e hormônios
esteróides ovarianos e testicular (estrógeno
e progesterona nas mulheres e testosterona
nos homens) são necessários para a estimulação
sexual.
A incidência de dispareunia (dor durante
a relação sexual), vaginismo (espasmos vaginais
dolorosos durante a relação) e falta de
lubrificação vaginal são maiores em mulheres
epilépticas que não tenham outros problemas
sexuais. Esses achados sugerem disfunção
na estimulação sexual fisiológica e não
distúrbio psicológico primário.
Alguns pacientes com epilepsia referem dificuldade
em conseguir ou manter a ereção e ejaculação.
Eles apresentam também dificuldade nas ereções
noturnas, o que pode indicar um problema
fisiológico primário.
DAEs
As DAEs afetam o comportamento sexual por
ação direta na função cortical ou pela ação
no metabolismo e nas ligações hormonais.
As DAEs podem elevar os níveis de prolactina
e de gonadotrofinas, hormônios que podem
suprimir a atividade sexual.
A hipossexualidade pode ocorrer com o uso
de qualquer DAE, porém parece ser mais pronunciado
em pacientes que usam barbitúricos.
É importante considerar as DAEs alternativas
se o paciente tornar-se hipossexual.
Descargas epileptiformes nas regiões frontais
ou temporais podem estar relacionadas com
hipossexualidade. Os mecanismos básicos
são desconhecidos, porém podem estar relacionados
a mudanças no nível de neurotransmissores
ou de hormônios. Muitas crises levam à elevação
transitória dos níveis de prolactina, que
tem sido associada à hipossexualidade.
O controle adequado das crises pode melhorar
o desempenho sexual, mesmo com a utilização
de doses maiores de DAEs.
Terapia
A terapia começa com a explicação para o
paciente de que há relação com a epilepsia.
Este fato pode provocar alívio no paciente,
mostrando que não é "culpa" dele. O contexto
completo da história é fundamental para
saber se a disfunção é ocasional ou crônica
e se há fatores a serem identificados, tais
como estresse, medicações outras que não
as DAEs e abuso de substâncias como álcool.
A abordagem médica geral é importante para
a detecção de doenças clínicas associadas,
tais como diabetes, hipertensão arterial,
hiperlipidemia e doenças endócrinas.
A avaliação urológica ou ginecológica assim
como as dosagens hormonais devem ser obtidas.
Intervenções ginecológicas podem ser adequadas
com produtos umidificadores ou lubrificantes
vaginais ou mesmo com dilatações vaginais
para o tratamento da dispareunia ou do vaginismo.
As dificuldades eréteis podem responder
a medicações que facilitem o relaxamento
da musculatura lisa e causem vasodilatação,
tais como bloqueadores alfa-adrenérgicos,
papaverina e sildenafil.
Se não for identificada uma causa orgânica
corrigível, o paciente deve ser encaminhado
para intervenção psicoterapêutica por profissional
com experiência abalizada na área.
Referências Consultadas
• Epilepsy and Sexuality. Information sheet
for health care providers. Epilepsy Foundation
of America, Inc., Landover, MD, USA, 1998.
• Morrell MJ. Hormones, reproductive health,
and epilepsy. In: Wyllie E, ed. The Treatment
of Epilepsy, second edition. Baltimore:
Williams & Wilkins, 1996, pp.179-187.
• Morrell MJ. Sexuality in epilepsy. In:
Engel J, Pedley TA, eds. Epilepsy: A Comprehensive
Textbook. Philadelphia: Lippincott-Raven
Publishers, 1997, pp. 2021-2026.
• Silveira DC. Disfunções sexuais. In: Guerreiro
CAM, Guerreiro MM, eds. São Paulo: Lemos
Editorial, 1996, pp. 217-224.
|
|
|
|
|
 |
|
 |
|
|||| Copyright ||||
|
 |
| :: Sobre a LBE ::
|
|
|