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» O Paciente Otimamente Controlado
 : Capítulo VIII - Tratamento das Epilepsias Recém-Diagnosticadas :

A epilepsia é uma condição relativamente comum e pode trazer um fardo econômico e emocional para os pacientes, as famílias e a sociedade.

Nos Estados Unidos da América, a incidência anual de epilepsia é calculada em 50/100.000 habitantes.

A maioria dos pacientes apresenta epilepsia em que não se encontra a etiologia. Num estudo clássico realizado em Rochester, de 1935 a 1984, os autores encontraram 65,5% dos pacientes sem causa aparente, 11% de causa cerebrovascular, 8% por déficits neurológicos congênitos e 5,5% por traumas cranianos. Além dessas, foram encontradas como etiologias das epilepsias: neoplasias, doenças neurodegenerativas e metabólicas e infecções, tais como meningites e encefalites.

O estudo acima citado é antigo, porém ainda não temos informações comparativas após a introdução dos novos métodos de neuroimagem. A freqüência dos diferentes tipos de crises variou com a idade. As crises parciais complexas foram mais freqüentes que as crises tônico-clônicas generalizadas, de modo geral. As crises mioclônicas foram as menos comuns, principalmente acima de 15 anos de idade. Ausências e crises mioclônicas incidiram mais abaixo dos 15 anos.

A epilepsia representa um impacto financeiro e emocional para os pacientes e para a sociedade. O custo econômico das epilepsias recém-diagnosticadas foi recentemente estimado, nos EUA, em custos diretos e indiretos. O custo direto inclui os gastos com atendimento em pronto-socorro e hospitalização, medicamentos, tratamentos médicos e cirúrgicos. O custo indireto inclui absenteísmo do trabalho, perdas no emprego e morte prematura. O total foi de 3 bilhões de dólares para 147.000 pacientes, com uma média de U$ 20.480,00 por paciente. Esse cálculo não levou em conta a perda do emprego ou a redução da qualidade de vida dos indivíduos acometidos.

Por que Tratar a Epilepsia Recém-diagnosticada?

A decisão de iniciar um tratamento medicamentoso para um paciente baseia-se na relação risco/benefício, isto é, no risco de novas crises versus o risco dos medicamentos.

Riscos das Crises

Sabemos que após duas crises, um paciente tem um risco de recorrência ao redor de 80% a 90%. Uma crise epiléptica geralmente é um episódio apavorante, principalmente a crise convulsiva. O paciente e a família gostariam de não mais vivenciar os episódios, mas por outro lado, podem estar preocupados com os efeitos da medicação a curto e a longo prazo.

Os principais riscos teóricos relativos às crises epilépticas são morte, lesão física, comprometimento cerebral e as conseqüências psicossociais.

O risco de morte súbita, apesar de baixo, parece ser maior em pacientes com epilepsias graves sintomáticas. Geralmente existe dúvida sobre se houve ou não relação da morte com a crise por parada ou da medicação, ou se a morte foi provocada por arritmia cardíaca e edema pulmonar.

Com relação às lesões físicas, estas podem ser ocasionadas por quedas, fraturas, lacerações, queimaduras, etc. O risco de crise durante a direção de veículos ou de máquinas é uma realidade preocupante, dependendo do tipo de crise e das circunstâncias pessoais.

A qüestão do comprometimento cerebral pelas crises é complexa e polêmica, não sendo argumento para se indicar o tratamento medicamentoso em epilepsias benignas ou idiopáticas, nas quais claramente não haja dano cerebral.

A principal justificativa para o início do tratamento medicamentoso num paciente com epilepsia recém-diagnosticada são as conseqüências psicossociais. A independência do indivíduo, o emprego, o ato de dirigir veículos, as atividades de lazer e esportivas; ou seja, a integração social do paciente e os aspectos psicológicos envolvidos são decisivos na definição pelo início do tratamento medicamentoso.

Riscos da Medicação

Sabe-se que ao redor de 15% dos pacientes recém-tratados têm reação biológica, cognitiva ou comportamental com a primeira droga antiepiléptica e necessitam de sua suspensão. O risco de o paciente apresentar uma reação grave é relativamente pequeno (1:30.000).

A literatura tem mostrado que ao redor de um terço dos pacientes adultos não são aderentes ao tratamento proposto ou não toleram a primeira medicação.

O Início do Tratamento Medicamentoso

Alguns princípios gerais devem nortear o início do tratamento medicamentoso.

Em primeiro lugar, não deve haver dúvida diagnóstica. Há muito pouco espaço para "testes terapêuticos" em pacientes com suspeita diagnóstica. Além do mais, o tratamento é geralmente prolongado e apresenta riscos para os pacientes.

As crises e, quando possível, as síndromes epilépticas devem ser cuidadosamente classificadas. Infelizmente, a classificação das epilepsias só é conseguida em aproximadamente metade dos pacientes. Nos casos em que este segundo passo é possível, há claramente melhor definição prognóstica. Isso permite, em muitos casos, a escolha das melhores DAEs e do melhor conhecimento da história natural e do prognóstico. O objetivo fundamental do tratamento é melhorar a qualidade de vida do paciente. Procura-se inicialmente, sempre que possível, manter o paciente sem crises, sem efeitos adversos das DAEs e bem adaptado do ponto de vista psicossocial.

O paciente e a família devem ser exaustivamente informados sobre a condição, etiologia, expectativa do tratamento, aspectos inerentes à qualidade de vida e a importância da adesão ao tratamento proposto.

O tratamento deve ser individualizado, levando-se em conta fatores médicos, sociais e psicológicos. O médico deve estar consciente das repercussões que o diagnóstico pode representar na vida da pessoa e das diferentes reações psicológicas do adoecer e da reação ao tratamento inicial. O impacto do diagnóstico depende, além das características da personalidade, da idade em que ocorre, sendo diferente na infância e na adolescência, no adulto jovem e no idoso.

Princípios Gerais do Tratamento Medicamentoso

1. A monoterapia, ou seja, o uso de uma única DAE, é preferível na maioria dos pacientes.

2. A simplificação do esquema posológico é desejável. Os ajustes de dose devem ser crescentes, até o controle completo das crises, com a mínima dose efetiva e com menos efeitos adversos. Se a eficácia não for atingida, a medicação pode ser aumentada até a máxima dose tolerada. Se ainda assim não se obtiver o controle das crises, a medicação deve ser substituída.
3. Nunca parar a medicação de modo abrupto.

Perspectiva Histórica do Tratamento Medicamentoso das Epilepsias

O início do tratamento medicamentoso das epilepsias pode ser estabelecido com o aparecimento dos brometos, em meados do século passado. Por muito tempo, a falta do completo conhecimento sobre a fisiopatologia das epilepsias, da história natural e da farmacologia das DAEs fizeram com que o tratamento medicamentoso das epilepsias fosse baseado na tradição médica mais do que na reflexão racional.

Assim, alguns autores dividem o tratamento médico em três etapas: politerapia "institucional", monoterapia "dogmática" e politerapia "racional".

Politerapia Institucional

Com a introdução do fenobarbital (FB) (1918) e da fenitoína (DPH) (1938), essas DAEs permaneceram por muitos anos como opções medicamentosas até a década de 80, com a introdução da carbamazepina (CBZ) e do valproato (VPA). Tentativas e erros com os dois fármacos e sua associação eram a base do tratamento. Havia inclusive apresentações comerciais que já associavam as duas DAEs. Mesmo depois da introdução da CBZ e do VPA, a politerapia era muito utilizada.

Monoterapia Dogmática

Autores ingleses (entre outros Reynolds e Shorvon) demonstraram que a incidência de efeitos colaterais era proporcional ao número de DAEs prescritas e que a otimização do tratamento poderia ser obtida com o uso de uma única DAE. Além disso, vários estudos mostraram que era possível bom controle das crises em aproximadamente 70%-80% dos pacientes. A instituição da monoterapia permitiu a comparação da eficácia e da toxicidade das DAEs no tratamento inicial com CBZ, VPA, DPH, FB e primidona (PRI).

Politerapia Racional

A estratégia terapêutica foi modificada nos anos 80 por três elementos. Primeiro, a introdução da classificação das crises e das síndromes epilépticas pela Liga Internacional contra a Epilepsia (ILAE). Segundo, melhor conhecimento da epidemiologia, história natural e prognóstico das epilepsias. Terceiro, avanços na neurobiologia e farmacologia, com melhor entendimento dos mecanismos básicos da epileptogênese e dos mecanismos de ação das DAEs.

Teoricamente, esses conhecimentos permitiriam uma politerapia mais racional. Assim, a combinação ótima seria conseguida com DAEs de "diferentes mecanismos de ação, com relativamente menos efeitos colaterais, com índices terapêuticos maiores e nenhuma ou pequena interação de drogas" (Ferendelli, 1995). Entretanto, "os avanços terapêuticos das novas drogas parecem um tanto limitados e é difícil identificar um óbvio aumento da eficácia entre esses compostos, embora possam ser melhor tolerados do que as DAEs mais antigas"(Pedley, 1993).

As três fases pelas quais passou o tratamento medicamentoso ilustram bem a influência de um certo "modismo" na prescrição médica, refletindo provavelmente influências de diversas origens, além do simples conhecimento sobre as DAEs.

Tratamento Medicamentoso: o "Clássico"

De acordo com o diagnóstico do tipo de crise e de síndrome epiléptica, o médico deve escolher os medicamentos mais eficazes e bem tolerados.

Epilepsias Localizadas (ou parciais)

Correspondem às epilepsias mais freqüentemente encontradas na população adulta. São responsáveis por pelo menos 70% das epilepsias que se iniciam no adulto. Cinqüenta por cento dos pacientes com epilepsias localizadas têm tanto crises parciais como generalizadas.

DAEs Convencionais

O consenso hoje mostra que as DAEs mais eficazes para as crises parciais são a CBZ e a DPH. O VPA, a PRI e a FB são um pouco menos eficazes.

O clássico estudo dos Hospitais de Veteranos de Guerra incluiu 622 adultos que foram randomizados para tratamento com DPH, CBZ, FB e PRI e seguidos por 36 meses. As quatro drogas foram igualmente eficazes para crises tônico-clônicas generalizadas, enquanto a CBZ foi a melhor para crises parciais. Os efeitos adversos foram os principais fatores na diferenciação das drogas. A DPH e a CBZ foram superiores à FB e à PRI. Sessenta por cento dos pacientes com a CBZ e a DPH continuaram o tratamento até o final, enquanto 40% e 50% continuaram com a PRI e a FB.

O segundo estudo dos Hospitais de Veteranos de Guerra comparou a CBZ e o VPA e mostrou que ambos são igualmente efetivos em crises secundariamente generalizadas; porém a CBZ foi superior nas crises parciais em quatro das cinco variáveis de resultados e teve menos efeitos colaterais crônicos.

A monoterapia com uma dessas DAEs controla ao redor de 70% dos adultos. Outros 15% a 20% podem obter controle com a associação de uma ou duas dessas DAEs.

Novas DAEs

Várias novas DAEs chegaram ao mercado mais recentemente.

Ao contrário da eficácia relativamente modesta observada em pacientes refratários, a monoterapia com oxcarbazepina (OXC), lamotrigina (LTG), gabapentina (GPT), vigabatrina (VGT) e clobazam (CLB) tem mostrado boa eficácia e, em alguns casos, até melhor tolerabilidade que as drogas convencionais.

Entretanto, como a questão de eficácia e segurança a longo prazo não está claramente definida na comparação entre as novas e as DAEs convencionais, o uso daquelas geralmente está reservado para os pacientes com ineficácia ou intolerância às DAEs convencionais. Com a experiência crescente e com novos estudos comparando as DAEs, provavelmente algumas delas terão, no futuro, um papel definitivo no início da terapia.

Epilepsias Generalizadas

Apesar de a maioria começar na infância, outras, como a epilepsia mioclônica juvenil, iniciam-se na segunda década e podem ser reconhecidas apenas após a ocorrência de crises tônico-clônicas generalizadas na idade adulta.

DAEs Convencionais

O VPA é a DAE de escolha. Também podem ser utilizados benzodiazepínicos e etossuximida para crises de ausência. CBZ, DPH, PRI e FB podem ser alternativas para crises tônico-clônicas generalizadas.

Novas DAEs

A LTG é uma boa alternativa em alguns casos, assim como o topiramato (TPM), que pode ser utilizado eventualmente.

Adolescentes com epilepsia mioclônica juvenil podem não tolerar o VPA, seja pelo ganho excessivo de peso, seja pelas alterações neuroendócrinas que causam distúrbios menstruais. Sabe-se que o VPA provoca hiperinsulinismo, o que leva ao aumento do apetite e ao ganho de peso. Além disso, Isojarvi e col. (1998) encontraram maior incidência da síndrome de ovário policístico em mulheres que fizeram uso crônico do VPA, independentemente da obesidade. Assim, diante desses potenciais efeitos colaterais do VPA, as novas DAEs deverão ocupar um espaço cada vez maior, particularmente na faixa etária dos adolescentes.

Tratamento Medicamentoso: o “Moderno” (os “Vanguardistas”)

Apesar de não haver estudos suficientes comparando as diversas drogas novas no tratamento das epilepsias recém-diagnosticadas, alguns autores tentam justificar as comparações teóricas entre as DAEs tradicionais e as novas, argumentando com base nos mecanismos de ação, nos aspectos farmacocinéticos, na eficácia, nos efeitos colaterais, nas interações medicamentosas e em fatores de "conforto".

Brodie destacou estes itens acima apontados em _2 a +2 e considerou como as melhores DAEs classificadas o VPA, a LTG e a OXC. Através deste sistema de pontuação classificou as DAEs em *(escore _1), ** (escore 0), ***(escore + 1) e ****(escore +2). A Tabela VIII-1 mostra as principais vantagens e desvantagens das medicações disponíveis em nosso meio.

Tabela VIII.1 - Vantagens e desvantagens das DAEs tradicionais e das novas.

DAE Classificação Vantagens Desvantagens
Fenobarbital * Baixo custo
Efetiva
Muito sedativa
Tolerância, crises na retirada
Fenitoína ** Efetiva
Baixo Custo
Difícil de usar
Efeitos col. cosméticos
Carbamazepina *** Eficácia
Fácil de usar
Formulação liberação lenta
Reação idiossincrásica
Efeitos col. SNC
Interações DAEs
Valproato **** Amplo espectro
Bem tolerado
Poucas reações idiossincrásicas
Ganho de peso, tremor
Teratogenicidade
Interações DAEs
Lamotrigina **** Amplo espectro
Relativa/não sedativa
Poucos problemas a longo prazo
Rash
Titulação lenta
Interações DAEs
Vigabatrina 1  *** Fácil de usar
Sem reações idiossincrásicas
Poucas interações
Sedação inicial
Efeitos Psiquiátricos
Menos eficaz contra CTCG
Oxcarbazepina **** Fácil de usar
Melhor tolerada que a CBZ
Sem interações com DAEs
Rash
Interação anticoncepcional
Hiponatremia
Gabapentina *** Fácil de usar
Bom perfil tolerância
Ausência de interações
Sedativo
3 tomadas ao dia
Interação modesta

1- Na ocasião desta publicação, não se conhecia o efeito de constrição do campo visual por comprometimento gabaérgico da retina, o que praticamente elimina a possibilidade de essa DAE ser considerada no tratamento de pacientes recém-diagnosticados. Modificado de Bro-die (1994).

Dam, epileptologista dinamarquês, propõe as seguintes DAEs como primeira, segunda ou terceira escolhas no tratamento das crises epilépticas (Tabela VIII-2).

Tabela VIII.2 - DAEs para os vários tipos de crises.

Primeira escolha Segunda escolha Terceira escolha
Crises Generalizadas      
Ausências Típicas LTG/VPA ETX CNP
Ausências Atípicas LTG/VPA CNP ETX
Mioclônicas VPA LTG/PRI CNP
Tônico-clônicas LTG/VPA OXC/CBZ CNP
Atônicas LTG/VPA PRI CNP
Crises Parciais      
Simples GPT/OXC LTG/VGT/TIA/TPM CNP/CLB/CBZ/DPH
Complexas GPT/OXC LTG/VGT/TIA/TPM CNP/CLB/CBZ/DPH
Secundárias/ Generalizadas GPT/OXC LTG/VGT/TIA/TPM CNP/CLB/CBZ/DPH

Mogens Dam, comunicação oral (1998). LTG - lamotrigina, VPA - valproato, ETX - etoxussimida, CNP - clonazepam, PRI - primidona, OXC - oxcarbazepina, GTP - gabapentina, TIA -tiagabina, TPM - topiramato, CLB - clobazam, CBZ - carbamazepina.

Não concordamos com a seqüência acima, apontada em muitas situações clínicas, particularmente pelo custo elevado das novas DAEs.

Há poucos estudos de farmacoeconomia aplicados às novas DAEs. Heaney e cols. (1998) compararam, em pacientes recém-diagnosticados, as repercussões econômicas do tratamento com CBZ, LTG, DPH e VPA. Estudos prévios mostraram eficácia semelhante em pacientes recém-diagnosticados. Na análise dos custos, foram levados em conta freqüência de efeitos colaterais, taxa de retenção (com a medicação), consultas médicas, internações hospitalares, custos de acidentes e pronto-socorro, investigações laboratoriais e mudanças de drogas. Os custos diretos médicos por dois anos de terapia foram calculados em 795-829 libras esterlinas para a CBZ, 1.525-2.076 para a LTG, 736-768 para a DPH e 868-884 para o VPA. Os autores concluíram que o tratamento com LTG em pacientes recém-diagnosticados é significativamente mais caro.

Este estudo é um dos poucos disponíveis na avaliação das novas DAEs em pacientes recém-diagnosticados. Com certeza novos estudos serão fundamentais nas decisões médicas de escolha da medicação e nos aspectos de qualidade de vida, inclusive na área da farmacoeconomia que, no sentido amplo, é uma sub-área da qualidade de vida.

Mattson (1998) propõe o seguinte diagrama para o tratamento de pacientes recém-diagnosticados (Fig. VIII-3).

Figura VIII.3 - Controle esperado de epilepsias recém-diagnosticadas

Tratamento com uma DAE  
Bem controlado
70%
  Controle insatisfatório
30%
Tratamento com 2 ou 3 DAEs
Controle aceitável
15%
  Controle insatisfatório
15%
Novas DAEs
Poucos
Refratários a todas
10%
Cirurgia de epilepsia
5%

(Modificado de Mattson, 1998).

Agravamento das Crises por DAEs


Hoje, está bem estabelecido que, potencialmente, todas as DAEs podem acentuar a freqüência e a intensidade de determinadas crises epilépticas. Na Tabela VIII-4, estão listadas as principais síndromes epilépticas e as DAEs que eventualmente possam agravar as crises.

O início do tratamento medicamentoso, portanto, exige monitorização cuidadosa, não só pelos potenciais efeitos colaterais das DAEs, como também pelo possível agravamento das crises epilépticas.

Tabela VIII.4 - Síndromes epilépticas, DAEs e efeito de piora.

DAE Síndrome epiléptica Efeito
CBZ Epilepsia "rolândica" benigna
Epilepsia ausência infantil
Epilepsia mioclônica juvenil
Epilepsia mioclônica progressiva
drop attacks
aumenta ausência
aumenta mioclonias
aumenta mioclonias
DPH Epilepsia ausência infantil
Outras epilepsias generalizadas Epilepsia mioclônica progressiva
sem eficácia e piora
sem eficácia e piora
agravamento
FB (altas doses) Epilepsia ausência infantil aumenta ausências
ETX Epilepsia generalizada idiopática provoca CTCG
VGT Epilepsia ausência infantil
Epilepsia mioclônica
aumenta ausências
aumenta mioclonias
GPT Ausências
Mioclonias
aumenta ausências
aumenta mioclonias
Benzodiazepínicos Síndrome de Lennox-Gastaut crises tônicas seriadas

Modificado de Genton e McMenamin (1998).

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