| A Liga Internacional
Contra Epilepsia (ILAE), organização mundial
profissional para a epilepsia, uniu-se ao
Bureau Internacional para Epilepsia (IBE),
organização leiga equivalente, e ambas as
entidades, juntamente com a Organização
Mundial de Saúde (OMS), lançaram, em Genebra,
a campanha "Epilepsia Saindo da Obscuridade",
em 19 de junho de 1997, e em Dublin, em
3 de julho de 1997, durante o 22? Congresso
Internacional de Epilepsia. No Brasil, a
campanha foi lançada oficialmente em 5 de
junho de 1998, durante o Encontro Anual
da Liga Brasileira de Epilepsia, realizado
em Porto Alegre. Esta campanha visa esclarecer
fatos sobre a epilepsia e melhorar a qualidade
de vida dos pacientes com epilepsia em todas
as frentes possíveis.
As
bases da Campanha são:
• Epilepsia é o
distúrbio sério do cérebro mais comum em
todos os países do mundo;
• Epilepsia é possivelmente
a mais universal de todas as doenças médicas.
Mais de 100 milhões de pessoas terão epilepsia
em algum momento de suas vidas. Num corte
transversal no tempo, 40 milhões de pessoas
terão epilepsia, especialmente na infância,
adolescência e terceira idade.
• Até 5% da humanidade
poderá ter uma crise em suas vida.
• Epilepsia não
escolhe idade, raça, classe social, nacionalidade
ou limites geográficos.
• Epilepsia crônica
ou não tratada pode causar a sérias conseqüências
físicas, psicológicas ou sociais.
• Muitas crianças
com epilepsia não são adequadamente escolarizadas.
• A epilepsia é
freqüentemente mal entendida, causando medo,
estigma e penalidades sociais, o que faz
com que as pessoas com epilepsia tendam
a se esconder ou esconder o seu diagnóstico.
• A taxa de desemprego
é desproporcionalmente alta, em função,
principalmente, do desconhecimento dos empregadores.
É duas a três vezes maior do que a taxa
geral.
• Muitas pessoas
escondem sua condição. Isso contribui para
o isolamento social e a baixa auto-estima
e para acarretar dependência e depressão;
• Ignorância e atitudes
negativas em relação à epilepsia são comuns
em todos os países.
• A epilepsia é
amplamente esquecida e negligenciada em
todo o mundo.
• Muitas pessoas
com epilepsia não têm acesso a informações
sobre a sua condição.
• Mulheres com epilepsia
freqüentemente recebem informação inadequada
sobre a gestação.
• Estudos da OMS
têm mostrado que a epilepsia causa séria
sobrecarga econômica à saúde.
• Os serviços médicos
para pessoas com epilepsia são inadequados
e distribuídos heterogeneamente em países
desenvolvidos e são deficientes ou inexistentes
em países em desenvolvimento.
• Poucos governos
ou departamentos de saúde têm planos para
pessoas com epilepsia, a despeito da escala
do problema em âmbito mundial.
• A epilepsia é
um distúrbio do cérebro potencialmente tratável
na maioria dos casos. Com diagnóstico precoce
e tratamento apropriado, três quartos dos
pacientes podem levar vidas normais. Embora
o tratamento esteja disponível em países
desenvolvidos, o que responde por 80% do
mercado financeiro relacionado com drogas
antiepilépticas (DAEs), isso representa
somente 15% da sobrecarga global da epilepsia.
Em países em desenvolvimento, 60% a 90%
das pessoas com epilepsia não têm acesso
a tratamento medicamentoso.
• Aproximadamente
30 milhões dos 40 milhões de pessoas de
todo o mundo com epilepsia não recebem tratamento,
embora a maioria pudesse ser satisfatoriamente
tratada com serviços apropriados, disponibilidade
de medicamentos e educação.
Os
objetivos da Campanha são:
• Aumentar a consciência
profissional e pública sobre epilepsia,
encarada como distúrbio universal e potencialmente
tratável.
• Promover a educação
profissional e pública sobre a epilepsia.
• Mudar atitudes,
derrubar mitos e elevar a epilepsia a um
novo plano de aceitabilidade em termos de
área pública.
• Identificar as
necessidades de pessoas com epilepsia em
âmbito nacional, regional e mundial.
• Encorajar governos
e departamentos de saúde a desenvolver suas
próprias campanhas nacionais para melhorar
a prevenção, o diagnóstico, o tratamento,
os cuidados e serviços públicos.
Os
agentes da Campanha são:
• Comitê Diretor
(um membro da ILAE, um do IBE e um da OMS)
e Comitê Executivo da Campanha (três membros
da ILAE, três do IBE e dois da OMS), os
responsáveis pelos Comitês Executivos da
ILAE, IBE e Divisão de Saúde Mental/Unidade
em Neurociências da OMS. Um Comitê Colaborador
e Consultor de especialistas em epileptologia
e um Grupo Internacional de Apoio constituído
por conselheiros influentes (em política
e mídia). Um escritório de coordenação da
Campanha.
• Comissões regionais
da ILAE e IBE e escritórios regionais da
OMS.
• Os principais
agentes da Campanha são os Capítulos Nacionais
da ILAE e IBE e organizações locais de epilepsia
que trabalhem com os escritórios locais
da OMS e, em alguns casos, os escritórios
da UNICEF.
Programas de
ação:
A Campanha Global proporciona um esquema
para uma ação coordenada em âmbito mundial,
nacional e regional para tirar a "epilepsia
da obscuridade".
• Mundial: Estratégias específicas
globais para convencer a Assembléia Geral
da OMS para reconhecer o diagnóstico e o
tratamento da epilepsia como prioridade
internacional de saúde e formalmente designar
e instituir um Dia Mundial de Reconhecimento
da Epilepsia.
Essas estratégias requerem mobilização
da infra-estrutura de suporte em âmbito
nacional, através da persuasão de delegados
nacionais e governamentais junto à Assembléia
Geral da OMS.
• Regional: América Latina _ A Organização
Pan-Americana de Saúde (OPAS), estimulada
pela Campanha Mundial, adotou a resolução
R19CD40 em setembro de 1997, reconhecendo
o controle da epilepsia como uma de suas
metas para os programas de saúde da região.
• Nacional: Brasil _ Os agentes
da campanha são: Liga Brasileira de Epilepsia
(LBE), entidade profissional, e Associação
Brasileira de Epilepsia (ABE), entidade
leiga. Ambas as entidades estão comprometidas
com a Campanha e trabalhando ativamente
por ela.
Não há dados epidemiológicos para o nosso
país como um todo; porém, alguns levantamentos
locais sugerem que a prevalência seja de
aproximadamente 2% na população em geral,
o que nos faz supor que existam mais de
três milhões de epilépticos no Brasil.
Estima-se que pelo menos 40% das pessoas
com epilepsia em todo o mundo não recebam
tratamento algum, e que outro tanto receba
tratamento inadequado. Temos razões para
supor que os números aqui no Brasil sejam
semelhantes a esses levantamentos feitos
por entidades internacionais.
Declaração de
Heidelberg em Epilepsia: 25
de Outubro de 1998
Em um encontro ocorrido em Heidelberg,
Alemanha, em 25 de outubro de 1998, mais
de 100 líderes de corporações profissionais
e leigas da Europa, representantes da OMS
e especialistas governamentais e universitários
em saúde concordaram, por unanimidade, com
a seguinte declaração:
• Seis milhões de pessoas na Europa têm
epilepsia. Quinze milhões terão epilepsia
em algum momento de suas vidas.
• As crianças e os adolescentes são especialmente
vulneráveis.
• A epilepsia causa profundas conseqüências
físicas, psicológicas e sociais.
• Com tratamento adequado, mais de três
quartos das pessoas com epilepsia poderiam
levar vidas normais sem crises.
• A epilepsia custa aos países da Europa
mais de 20 bilhões de UCE por ano, quantidade
que poderia ser significativamente reduzida
por ação eficaz.
Convocamos os governos da Europa, a União
Européia e todos os provedores de saúde
a se unirem a nós para empreender uma ação
forte e decisiva em favor dos objetivos
da Campanha Mundial contra a Epilepsia lançada
pela OMS, ILAE e IBE.
Especificamente, solicitamos ação nas seguintes
metas:
• Para aumentar a compreensão pública sobre
a epilepsia e assim reduzir seu estigma.
• Para remover a discriminação contra as
pessoas com epilepsia em locais de trabalho.
• Para ajudar as pessoas com epilepsia a
entender sua própria condição e fortalecê-las
a procurar tratamento adequado e se realizarem
em suas vidas.
• Para melhorar o conhecimento dos profissionais
de saúde sobre a epilepsia, antes e após
a graduação.
• Para assegurar a disponibilidade de modernos
equipamentos e serviços, pessoas treinadas
e ampla gama de drogas antiepilépticas,
facilitando o diagnóstico preciso e o tratamento
mais eficaz para o caso.
• Para encorajar pesquisa em epilepsia.
• Para incentivar a proximidade entre autoridades
e agências do governo, da saúde e sociais
com os capítulos nacionais da ILAE e IBE.
• Para apoiar a publicação de uma declaração
de saúde pública sobre epilepsia na Europa;
• Para dar assistência a países que tenham
serviços precários de epilepsia, tanto na
Europa como fora dela.
Os demais itens da Declaração de Heidelberg
são as bases e os ob-jetivos da Campanha
Mundial, já expostos anteriormente.
Obs: As informações aqui expostas foram
retiradas integralmente dos dados da Campanha
Mundial “Epilepsia Saindo da Obscuridade”
(exceto a prevalência de epilepsia no Brasil),
com a autorização do Dr. E. H. Reynolds,
presidente do Comitê Executivo da Campanha.
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